Coluna Enoturismo - Joice Lavandoski

Terça, 27 de Março de 2012

Parreirais do Vale dos Vinhedos, algumas preocupações?

Parreirais do Vale dos Vinhedos, algumas preocupações?

Parreirais do Vale dos Vinhedos, algumas preocupações?

Uma das principais características da viticultura no Vale dos Vinhedos é sua formação em pequenas propriedades de terra familiar e desenvolvida em terrenos de topografia acidentada.

Os imigrantes italianos responsáveis por introduzir os parreirais nesta região, nos anos 1870, tiveram algumas dificuldades ao plantar as mudas de uva devido, dentre outras, as condições do solo e da vegetação densa para o desmatamento da região.

Nessa época, os parreirais foram plantados utilizando o sistema denominado "latada", ou também conhecido como "pérgola", com a utilização dos plátanos para dar sustentação à videira. Este sistema foi muito utilizado na Serra Gaúcha e na Europa, aparece em determinadas regiões vitícolas, especialmente do norte da Itália, com denominações e formas diferenciadas.

Porém, outro sistema de condução foi sendo incorporado, o "espaldeira", com a videira em forma de cercas paralelas. O sistema de condução em espaldeira é um dos mais utilizados pelos viticultores nos principais países vitivinícolas do mundo, pois garante maior insolação para a videira e, com isso, maior qualidade aos vinhos, apesar de ser menos produtiva que a forma "latada".

Percebe-se que, com o advento de novas tecnologias para a agricultura, e neste caso em específico, para a condução da videira e para a elaboração do vinho, alguns processos tradicionais estão sendo trocados por outros mais modernos.

Estas são algumas das características dos parreirais no Vale dos Vinhedos e que possuem grande importância turística, uma vez que são atratividades para os visitantes.

Outra característica sazonal dos parreirais é sua coloração. Dependendo da época do ano, a paisagem vitivinícola do Vale dos Vinhedos assume cores e modelos diferentes. Na época da vindima as videiras apresentam os cachos e as folhas numa coloração verde, enquanto que, no outono a matiz da paisagem muda para uma coloração em tons amarelados.

Uma paisagem é dinâmica e mutável, ela sofre as alterações do homem e do meio ambiente em que esta inserida. Nesse sentido, cabem alguns alertas...

O Vale dos Vinhedos já sofre com problemas de desenvolvimento. Me refiro exclusivamente aos parreirais que estão sendo abandonados pelos próprios viticultores, uma vez que o baixo preço pago pela uva acaba não incentivando mais seu cultivo. Além das dificuldades encontradas em se trabalhar na área rural e da escassa mão de obra, principalmente, na época da vindima.

Outro agente muito envolvido no desenvolvimento é o poder público que tem muitas responsabilidades sobre o território local. Políticas de incentivo e preservação da agricultura, legislação e zoneamento para controlar a utilização do solo, e sua devida monitoração são alguns exemplos. Estas e muitas outras ações dos governantes locais, se não adotadas, acabam refletindo em problemas para os viticultores e para a região devido os desinteresses com a agricultura e a manutenção dos parreirais. Este desinteresse, principalmente por parte dos viticultores, abre espaço para a comercialização de terrenos agrícolas para outros fins, como a construção de condomínios... a urbanização.

Os parreirais são a matéria prima do enoturismo no Vale dos Vinhedos e eles precisam ser mantidos. Particularmente vejo os parreirais plantados no sistema "latada" como um diferencial desta região e deveriam ser preservados, nem que seja como uma espécie de museu, para a exposição ao público.

É preciso que todos os envolvidos no desenvolvimento do Vale dos Vinhedos percebam essa importância dos parreirais na paisagem vitivinícola e, por fim, mudem suas ações e ideais!

Fonte:

Investigadora em Enoturismo
Doutoranda em Turismo
Universidade do Algarve, Portugal
Bolsista Capes, Brasil

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